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domingo, 30 de agosto de 2009

Le Coq D'or


Le Coq D'or (O Galo de Ouro) é uma ópera em trê atos (com um prólogo curto e um epílogo igualmente curto) composta por Nikolay Rimsky-Korsakov. O libretto foi escrito por Vladimir Belsky e é baseado no poema de 1834 A Fábula do Galo de Ouro de Alexander Pushkin (que por sua vez é baseado em dois
capítulos de Fábulas de Alhambra de Washington Irving). A ópera foi terminada em 1907, e estreou em Moscou em 1909, logo após a morte do compositor.

Quatro fatores influenciaram Nikolai Rimsky-Korsakov a escrever esta ópera-ballet:

1. Pushkin - Outros trabalhos de Rimsky-Korsakov inspirados nos poemas de Alexander Pushkin, especialmente Tsar Saltan, tiveram grande sucesso. Le Coq D'Or teve a mesma magia.

2. Bilibin - Ivan Bilibin já havia produzido objetos para Le Coq D'Or, e isso trouxe
o mesmo sabor folclórico tradicional russo, como em Tsar Saltan.
3. Tsar Nich
olas II - Nicholas II
estupidamente iniciou a Guerra Rússia-Japão fazendo um ataque preventivo contra as forças japonesas na Manchúria e na Coréia. Esta guerra foi extremamente
impopular entre o povo russo. Ela provou ser um desastre militar, e a Rússia acabou sendo derrotada. (Lembremos que em Le Coq D'Or, o Rei
Dodon estupidamente decide fazer um ataque preventivo contra o Estado vizinho, e há um enorme caos e derramamento de sangue no campo de batalha. O próprio rei dá mais atenção aos seus prazeres pessoais, o que o leva a um fim indesejável).

4. Atividade Revolucionária Russa em 1905 - O povo russo não ficou apenas decepcionado com a derrpta na Guerra com o Japão, mas, mais importante, por suas condições de vida feudais. A 9 de janeiro de 1905, centenas de milhares de pessoas, conduzidas por um sacerdote, manifestaram-se pacificamente na Praça do Palácio em São Petesburgo. Eles redigiram uma petição pedindo por melhores condições de trabalho, uma jornada de oito horas por dia, um salário mínimo e a proibição do trabalho infantil. No entanto, mais de mil pessoas foram baleadas pelas tropas Tsaristas, e a data ficou conhecida como Bloody Sunday (Domingo Sangrento).
(A Sinfonia Nº 11 de Shostakovich é "sobre" esses eventos). As notícias sobre esse massacre espalharam-se rapidamente - houve um levante em Odessa, onde os marinheiros do navio de guerra Potemkin tomaram o navio e abriram fogo sobre o quartel-general das tropas Tsaristas.
Novamente, houve um massacre de civis na Escadaria de Odessa. Os estudantes do Conservatório de São Petesburgo também ficaram contra o Tsar, e Rimsky-Korsakov apoiou seu protesto. Graças a isso ele foi demitido de seus posto de diretor do Conservatório.


Rimsky-Korsakov decidiu criar um trabalho expondo o desatroso regime tsarista, e em 1906 deu início à sua ópera Le C
oq D'Or. Ela foi finalizada em 1907. A ópera foi imediatamente banida pelo Palácio, e não teve permissão de ser encenada - a semelhança entre o Czar e o idiota Rei Dodon era evidente. A saúde de Rimsky-Korsakov foi provavelmente afetada por isso, e ele morria quando ela era representada dois anos mais tarde.

























SINOPSE

Tempo: não especificado
Lugar: no décimo-terceiro reino, um lugar muito longe (além de três vezes nove terras) nos contos de fadas russos.

Ato 1

No curto prólogo, após a citação na orquestra dos leitmotifs mais importantes, um astrólogo misterioso vem detrás da cortina anunciar para o público que, apesar de que eles vão ver e ouvir uma história fictícia muito antiga, seu enredo é válido e contém verdade moral.

O trapalhão Rei Dodon fala sozinho se acredita que seu país corre perigo em relação ao Estado vizinho governado pela bela rainha de Shemakha. Ele pede o conselho do astrólogo, que lhe dá um Galo de Ouro mágico, com o qual promete dar-lhe respostas. O Galo de Ouro confirma que a rainha de Shemakha certamente tem algumas ambições territoriais, de modo que o Rei Dodon estupidamente decide fazer um ataque preventivo contra o Estado vizinho, e envia seu exército, liderado por seus dois filhos, para iniciar a batalha

Ato 2

No entanto, seus filhos são ambos tão ineptos que acabam por matarem-se um ao outro no campo de batalha. O Rei Dodon então decide liderar o exército pessoalmente, mas mais derramamento de sangue é evitado graças ao Galo de Ouro, que garante que o velho rei ficará obcecado caso ele realmente veja a linda rainha. A rainha por sua vez incentiva essa

situação, executando uma dança sedutora – que atiça o rei para participar e acompanhá-la, mas ele é desajeitado e faz da situação uma completa bagunça. A rainha percebe que pode assumir o país de Dodon sem mais lutas – ela arquiteta uma proposta de casamento feita por Dodon, que timidamente aceita.

Ato 3

A cena final começa com uma grande procissão nupcial em todo o seu esplendor – e quando esta está chegando ao seu final, o Astrólogo aparece e diz ao rei “o senhor prometeu que eu poderia pedir qualquer coisa se houvesse uma solução satisfatória para seus problemas...” “Sim, claro,” disse o rei, “Apenas diga e você o terá”. “Certo,” disse o Astrólogo, “Eu quero a Rainha de

Shemakha!”. Nisso, o rei tem um ataque de cólera e derruba o Astrólogo com um golpe de sua clava. O Galo de Ouro, leal ao seu mestre, o Astrólogo, avança e rasga a jugular do rei com uma bicada. O céu escurece e quando a luz volta, tanto a rainha quanto o galo desapareceram.

No epílogo, o Astrólogo vem novamente detrás da cortina e anuncia o final da história, lembrando o público

que o que acabaram de ver foi “apenas uma ilusão”, que somente ele e a rainha eram mortais e reais.

Fonte: Wikipédia

sábado, 1 de novembro de 2008

Diaghilev e o futurismo italiano

Em meados de 1914 Diaghilev esteve sob o que ditava o movimento futurista italiano. A influência futurista foi a grande força que impulsionou sua companhia ao modernismo. Em combinação com o neoprimitivismo (por exemplo, as peças e figurinos de Goncharova para Le Coq D'or) e com o cubismo, ele deu à companhia um todo um novo
visual.

O último componente na nova estética de Diaghilev foi a redescoberta da herança pré-romântica. (PRESS, 2006).

"Quando Diaghilev começou a produzir espetáculos de ballet e óperas russas em Paris a partir de 1909, ele não apenas importou a música, dançarinos, artistas, adereços e figurinos, mas também a peculiar estrutura cooperativa que os artistas russos trabalhavam.
Os ballets russos foram um sucesso sem precedentes. Os adereços e figurinos de Leon Bakst, Alexander Golovin e Valentin Serov emocionaram o mimado público parisiense. Em todos os aspectos, os russos reanimaram o mundo da dança e fizeram dele a plataforma de grande inovação artística. Quando Diaghilev também começou a reunir artistas ocidentais ao seu redor, ele os inspirou a trabalhar intensivamente com artistas de outras disciplinas. Compositores como Debussy, Ravel e de Falla colaboraram com artistas como Picasso, Matisse e de Chirico, e escritores como Jean Cocteau e Andre Gide." (SELBACH, 2004).













Alexander Golovin, kostuumontwerp voor Firebird 1910, State Museum of Theatre and Music, St. Petersburg







Chinese danser, Léon Bakst – kostuumontwerp voor Vaslav Nijinsky als ‘Chinese Dancer’ in Les Orientales,1917, collectie McNay Art Museum Texas














Leon Bakst, kostuumontwerp voor een Nymph in Narcisse 1911, collectie State Museum of Theatre and Music, St. Petersburg







Leon Bakst Design for the costume of Cléopatre for Ida Rubinstein, 1909. In: Cléopatre, 1909. Pencil and watercolour on paper. 28 x 21 cm. Collection Nikita en Nina Lobanov-Rostovsky, London. © c/o Beeldrecht Amsterdam 2004




Referências Bibliográficas

SELBACH, Josee. Working for Diaghilev. Groninger Museum, Groninger, 15 out. 2004. Disponível em: http://www.groningermuseum.nl/index.php?id=1260. Acesso em: 31 out. 2008.

PRESS, Stephen D. Prokofiev's Ballets for Diaghilev. Inglaterra: Ashgate, 2006.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Le Coq D'or (1914)

Natalia Goncharova
Design da cortina para o Le Coq D'or, 1914


Diaghilev encarregou Goncharova os adereços e figurinos de Le Coq D'or, o último e melhor trabalho do compositor N. Rimsky-Korsakov em 1913. Inicialmente o coreógrafo Michel Fokine ficou preocupado com a escolha graças à reputação notoriamente futurista de Goncharova. No entanto foi precisamente esta notoriedade que atraiu Diaghilev e contribuiu para sua decisão, seu compromisso com a arte moderna garantiria o emprego de artistas "anárquicos". A fase futurista de Goncharova teve uma vida relativamente curta e Fokine teve suas preocupações dissipadas quando de sua visita ao estúdio da artista em Moscou, onde pode ver evidências do caráter nacionalista de sua arte mais apropriadas à sua visão de produção. Àqeuele momento Goncharova estava focalizando sua ateção à arte nativa de seu país, ela investigava os princípios da arte ancestral russa como o ícone, o lubki e outras tradições populares. Ela via valor em uma arte que vinha sendo descartada por seus colegas e compreendeu que deveria converter suas características em uma linguagem do século 20 digna de uma produção teatral.






Anos mais tarde ela relembraria os estudos preliminares que empreendeu antes de produzir os desenhos: "Eu visitei museus arqueológicos, onde fui inspirada por fantasias de camponeses. Descobri tais tesouros como os magníficoa anéis de nossos czares e boyars. Conversei com artesãos. O povo russo tem umgosto inato pela arte. Eles criaram melodias populares que forneceram temas para todos os nossos grandes compositores, como Stravinsky, por exemplo." Aqui Goncharova toca em um aspecto muito importante da produção, a tradição cultural russa, que permeou cada aspecto de sua execução.


Nikolai Rimsky-Korsakov era um ávido colecionador de canções camponesas russas e usou as melodias populares em sua música, enquanto Michel Fokine alegou ter sido influenciado pelas poses da pintura icônica (pictográfica?) enquanto coreografava as formas e sequências dos movimentos de seus bailarinos. Com esses elementos subjacentes à música e à coreografia e com o conhecimento artístico sobre a história russa de Goncharova, houve a colaboração perfeita para recriar a Rússia dos contos-de-fadas em que o poema de Pushkin se desenvolvia.

O próprio formato de Le Coq D'or era incomum, conhecido por ópera-ballet por instigação de Alexander Benois. Benois estava visivelmente frustrado pela falta de expressão e habilidade dramática dos cantores de ópera, então chegou à solução de cantar e atuar adotando um elenco duplo de pessoas, uma para cada função. Os cantores aparecem no palco junto aos bailarinos, posicionados em forma de duas pirâmides de cada lado.

O figurino de Goncharova assinalava o arranjo incomum do elenco com perfeição conferindo aos cantores um vestido de gola alta, de modo a não desviar a atenção dos bailarinos, muito embora olhando seu figurino vívido entendamos que isso seria extremamente difícil.

Le Coq D'or foi um enorme sucesso, não apenas pelo formato e pela unidade "arrusionada" da produção como um todo, mas também pelo visual esplendoroso que exibia. As cores vívidas e suntuosas do figurino de Goncharova foram uma revelação. O puro esplendor da cor mostra Goncharova no auge de sua fase neo-primitivista, que é onde a Goncharova da infância campestre se manifesta.

Ela embutiu claramente a inspiração da arte naive do artesanato camponês no brilho estilizado dos gradientes de cor e nas formas exageradas. A essência de seu design pode ser vista nas formas primitivas, porém altamente decorativas, de brinquedos e vestimentas camponesas.









Figurino do camponês









Figurino do rei






Referências Bibliográficas

HUMANITIES ADVANCED TECHNOLOGY & INFORMATION INSTITUTE. University of Glasgow. Le Coq D'or 1914. Disponível em: http://www.hatii.arts.gla.ac.uk/MultimediaStudentProjects/00-01/9705226m/mmcourse/project/gonch.project/le_coq_d.htm. Acesso em: 31 out. 2008